ANÚNCIOS NO ChatGPT Guia Completo: o que os hotéis precisam saber sobre a nova publicidade da OpenAI - HotelariaWeb
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Durante muitos anos, quando falávamos em mídia digital para hotéis e pousadas, praticamente toda conversa começava em dois lugares: Google e Meta. Agora temos um terceiro ambiente entrando nesse jogo: os anúncios no ChatGPT.

No Google, tentamos aparecer quando alguém pesquisa por “hotel em Gramado”, “pousada romântica em Campos do Jordão” ou “hotel perto do aeroporto de Curitiba”. No Instagram e Facebook, tentamos despertar o desejo antes mesmo de o viajante iniciar uma busca.

E, para mim, essa mudança merece atenção especial da hotelaria porque o ChatGPT não funciona exatamente como um buscador e muito menos como uma rede social. A pessoa conversa, explica sua situação, faz perguntas, compara alternativas e vai refinando suas necessidades.

Em maio de 2026, a OpenAI anunciou a expansão internacional do projeto-piloto de anúncios no ChatGPT, incluindo o Brasil, além de Reino Unido, México, Japão e Coreia do Sul.

É importante, porém, fazer uma distinção: a expansão da experiência de anúncios para usuários de um mercado não significa necessariamente que empresas daquele país já tenham acesso imediato ao Ads Manager para criar suas próprias campanhas. A disponibilização da plataforma para anunciantes está acontecendo gradualmente e ainda varia conforme o mercado.

Ou seja: já não estamos falando apenas de uma possibilidade distante. Estamos falando de um novo canal de publicidade que começa a entrar no mercado brasileiro e que merece ser acompanhado de perto pela hotelaria.

Neste guia, vou explicar o que são os anúncios no ChatGPT, como eles funcionam, onde aparecem, quanto podem custar, como são administrados, quais usuários podem vê-los e, principalmente, o que tudo isso pode representar para hotéis e pousadas.

O que são os anúncios no ChatGPT?

Os ChatGPT Ads são anúncios publicitários exibidos dentro da experiência do ChatGPT.

Mas existe uma diferença importante em relação à publicidade tradicional: o anúncio não faz parte da resposta do ChatGPT.

A OpenAI afirma que as respostas continuam sendo produzidas independentemente da publicidade. Os anúncios são identificados como patrocinados e apresentados separadamente da resposta orgânica.

Isso significa que um hotel não poderá simplesmente pagar para que o ChatGPT responda:

“O melhor hotel de Florianópolis é o Hotel X.”

Essa distinção é fundamental.

Uma coisa é a resposta orgânica da inteligência artificial. Outra é a publicidade exibida junto daquela experiência.

E é justamente por isso que, na HotelariaWeb, acredito que devemos começar a pensar em duas estratégias paralelas:

ser encontrado organicamente pelas inteligências artificiais + anunciar nos ambientes de IA.

São coisas diferentes e complementares.

Como um anúncio poderá aparecer durante uma conversa?

Vamos imaginar uma situação muito comum.

Uma pessoa diz ao ChatGPT:

“Quero passar um final de semana romântico em Gramado em setembro. Prefiro um hotel pequeno, com café da manhã, banheira e perto do centro. Não quero gastar mais de R$ 700 por diária.”

Veja a quantidade de informação presente em apenas uma mensagem.

Temos:

  • Destino: Gramado
  • Período: setembro
  • Motivação: viagem romântica
  • Categoria desejada: hotel pequeno
  • Comodidades: café da manhã e banheira
  • Localização: perto do centro
  • Orçamento: até R$ 700

Essa riqueza de contexto é uma das grandes diferenças do ChatGPT.

Imagem ilustrativa / Hotelariaweb

A própria OpenAI destaca que as pessoas utilizam a plataforma para explorar possibilidades, comparar alternativas e tomar decisões, e que as conversas podem fornecer sinais de contexto muito mais ricos do que uma busca composta apenas por algumas palavras.

Depois da resposta orgânica do ChatGPT, poderá existir uma área claramente identificada como patrocinada, apresentando um anúncio considerado relevante para aquele contexto.

Portanto, o anúncio não precisa interromper a conversa. Ele pode aparecer justamente em um momento no qual o usuário já está considerando determinada decisão.

Para o turismo, isso é especialmente interessante.

ChatGPT Ads x Google Ads x Meta Ads

Eu gosto de pensar nos três canais desta maneira.

No Google, capturamos principalmente uma intenção expressa por meio da pesquisa.

O viajante digita:

“hotel pet friendly em Curitiba”

Temos uma palavra-chave extremamente valiosa, mas relativamente pouca informação sobre aquela pessoa.

No Meta Ads, trabalhamos muito mais com descoberta.

O usuário está vendo Stories ou Reels e recebe um vídeo maravilhoso de uma pousada na Serra da Mantiqueira. Talvez ele nem estivesse pensando em viajar, mas o anúncio despertou esse desejo.

No ChatGPT, surge uma terceira dinâmica: a intenção conversacional.

A pessoa pode dizer:

“Vou viajar com meus pais idosos e meu cachorro para Santa Catarina. Quero um hotel confortável, sem muitas escadas, pet friendly e perto da praia. Que regiões você recomenda?”

Agora não temos simplesmente uma palavra-chave.

Temos uma pequena história.

E dentro dessa história existem diversos sinais comerciais.

Por isso eu resumiria assim:

Nenhum deles necessariamente substitui o outro.

Na minha visão, eles começam a ocupar momentos diferentes da jornada do viajante.

O anúncio influencia a resposta do ChatGPT?

Não.

E esta talvez seja uma das informações mais importantes deste guia.

A OpenAI estabelece como princípio que os anúncios permaneçam separados das respostas. A empresa afirma também que suas respostas são produzidas com o objetivo de serem úteis ao usuário e não são influenciadas por quem está anunciando.

Portanto:

anunciar no ChatGPT não significa comprar uma recomendação do ChatGPT.

Isso muda completamente a estratégia.

Um hotel pode ter duas frentes:

Paid: pagar para aparecer como anunciante.

Organic: trabalhar sua presença digital para aumentar sua capacidade de ser encontrado e compreendido pelos mecanismos de IA.

É aqui que entram SEO, GEO e AEO, assunto ao qual voltarei mais adiante.

Em quais planos do ChatGPT aparecem anúncios?

Atualmente, a OpenAI informa que os anúncios podem aparecer para usuários dos planos:

ChatGPT Free e ChatGPT Go.

Os planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu permanecem sem anúncios.

Também existem restrições importantes.

A OpenAI informa que não exibe anúncios para contas de usuários identificados ou estimados como menores de 18 anos e estabelece restrições para anúncios em conversas envolvendo determinados temas sensíveis ou regulados.

Como o sistema ainda está em fase de implementação e expansão, essas regras e a disponibilidade dos anúncios podem evoluir.

Os anunciantes terão acesso às conversas das pessoas?

Não.

Segundo a OpenAI, os anunciantes não recebem as conversas individuais nem informações pessoais dos usuários.

Os anunciantes têm acesso a informações de desempenho de suas campanhas, como impressões, cliques e outras métricas publicitárias disponibilizadas pela plataforma.

Isso é importante porque seria fácil imaginar um cenário bastante desconfortável em que um hotel pudesse saber exatamente:

“Essa pessoa disse ao ChatGPT que vai viajar com o marido para comemorar 20 anos de casamento.”

Não é assim que a plataforma é apresentada.

O sistema publicitário pode utilizar o contexto para determinar a relevância dos anúncios, mas a conversa individual não é entregue ao anunciante.

Como os anúncios no ChatGPT serão administrados?

Aqui começamos a entrar em território bastante familiar para quem já trabalha com mídia digital.

A OpenAI criou um Ads Manager em versão beta, cuja disponibilidade está sendo ampliada gradualmente.

É importante reforçar que a disponibilidade do Ads Manager para anunciantes não é necessariamente igual à disponibilidade de anúncios para usuários do ChatGPT em determinado país. Por isso, empresas brasileiras precisam acompanhar a abertura oficial de acesso ao gerenciador para seu mercado.

No Ads Manager, anunciantes com acesso poderão:

  • criar sua conta;
  • cadastrar informações de pagamento;
  • criar campanhas;
  • definir orçamento;
  • estabelecer lances;
  • controlar o ritmo de investimento;
  • criar ou enviar anúncios;
  • lançar campanhas;
  • editar campanhas;
  • acompanhar o desempenho.

A estrutura também trabalha com campanhas, grupos de anúncios e anúncios, inclusive com recursos voltados à administração de múltiplos itens.

Portanto, para quem já administra Google Ads e Meta Ads, vários conceitos serão familiares.

Mas a lógica de entrega pode ser bastante diferente, justamente porque o ambiente é conversacional.

CPM, CPC e oCPC: como será feita a cobrança?

Os primeiros testes dos anúncios no ChatGPT trabalharam com CPM, ou custo por mil impressões.

Depois, a OpenAI passou a oferecer também o modelo CPC, custo por clique.

No CPC, o anunciante paga quando alguém efetivamente clica no anúncio.

A plataforma também passou a trabalhar com oCPC, ou CPC otimizado para conversões. Nesse modelo, a entrega busca cliques com maior probabilidade de gerar uma conversão definida pelo anunciante. A cobrança, no entanto, continua acontecendo com base no clique, e não apenas quando a conversão ocorre.

Isso é particularmente interessante para hotéis porque podemos começar a pensar em objetivos diferentes.

Uma campanha de reconhecimento de marca poderia trabalhar com exposição.

Já uma campanha destinada a levar usuários para uma página de reservas poderia priorizar cliques ou trabalhar com uma otimização mais próxima da conversão, desde que o anunciante tenha estrutura de mensuração adequada.

E, como estamos falando de uma plataforma ainda em beta, é razoável esperar que os modelos de otimização continuem evoluindo.

Quanto custa anunciar no ChatGPT?

Esta é provavelmente uma das primeiras perguntas que todo hoteleiro fará.

E aqui precisamos separar modelo de cobrança de preço de mercado.

A OpenAI já trabalha com diferentes estratégias de lance, mas não existe uma tabela universal dizendo, por exemplo:

“Um clique para hotéis custa R$ 2,50.”

O custo efetivo dependerá do sistema de leilão, do lance, da relevância, da demanda publicitária, do mercado, da campanha e de outros fatores da plataforma.

Portanto, neste momento, qualquer promessa de um “CPC médio oficial para hotéis no ChatGPT” deve ser vista com cautela.

Para campanhas CPC, a própria documentação da OpenAI apresenta orientações iniciais de lance para ajudar anunciantes a começar, mas isso não representa um preço oficial para hotelaria e muito menos garante que esse será o valor efetivamente pago por clique.

O Ads Manager permite trabalhar com orçamento, lance e pacing, isto é, com a forma como o orçamento será distribuído ao longo da campanha.

Para a hotelaria, eu trataria os primeiros investimentos como campanhas de aprendizado.

Em vez de simplesmente transferir uma grande verba do Google para o ChatGPT, começaria com um orçamento controlado e compararia:

CPC, qualidade das visitas, leads, consultas, reservas, CAC e receita gerada.

O número importante não será simplesmente “quanto custa um clique no ChatGPT?”.

A pergunta correta será:

quanto custa conquistar uma reserva através desse novo canal?

É possível medir reservas e conversões?

Sim, e este é um dos avanços mais importantes da plataforma.

A OpenAI já disponibiliza ferramentas de mensuração por Pixel e Conversions API.

Com elas, o anunciante pode enviar eventos de conversão e compreender melhor o que acontece depois da interação com o anúncio, incluindo ações como:

  • compras;
  • leads;
  • cadastros;
  • outras conversões relevantes definidas para a campanha.

Quando esses eventos podem ser associados a interações elegíveis com anúncios, eles ajudam na mensuração e, em determinados tipos de campanha, na otimização.

Para um hotel, isso abre a possibilidade de construir um funil semelhante a:

Impressão → clique → visita ao site → consulta de disponibilidade → início da reserva → reserva confirmada → receita.

Naturalmente, a capacidade de acompanhar cada etapa dependerá também da estrutura tecnológica do próprio hotel, do site, do motor de reservas e da implementação correta da mensuração.

É aí que o ChatGPT Ads deixa de ser apenas uma curiosidade tecnológica e começa a se transformar em um canal mensurável de aquisição.

Quais KPIs um hotel deverá acompanhar?

Eu não recomendo avaliar uma campanha simplesmente pelo número de cliques.

O próprio Ads Manager disponibiliza métricas relacionadas ao desempenho da mídia, mas, na HotelariaWeb, nossa tendência será olhar o ChatGPT dentro da lógica completa de aquisição.

Os principais indicadores deverão incluir:

  • Impressões: quantas vezes o anúncio apareceu.
  • CTR: percentual de pessoas que clicaram depois de visualizar.
  • CPC: custo médio de cada clique.
  • Sessões qualificadas: usuários que chegaram ao site e demonstraram comportamento relevante.
  • Taxa de conversão: percentual de visitantes que realizaram a ação desejada.
  • Custo por lead: quando o objetivo for contato ou solicitação.
  • Custo por reserva: quanto foi investido para conquistar uma reserva.
  • CAC: custo total de aquisição daquele hóspede.
  • Receita atribuída: quanto de faturamento pode ser relacionado às campanhas dentro do modelo de atribuição adotado.
  • ROAS: quanto retornou em receita para cada real investido em publicidade.

Para hotelaria, acrescentaria ainda um indicador fundamental:

valor da reserva direta gerada versus custo de aquisição.

Porque conseguir uma reserva de R$ 3.000 pagando R$ 150 para adquiri-la conta uma história completamente diferente de uma reserva de R$ 350 adquirida pelo mesmo custo.

Um exemplo prático

Imagine uma pousada em Monte Verde.

Um usuário conversa com o ChatGPT:

“Quero viajar com minha esposa para algum lugar romântico perto de São Paulo. Gostamos de frio, lareira, vinho e lugares tranquilos. Temos sexta a domingo disponíveis.”

Existe uma intenção de viagem, mesmo que a pessoa ainda nem tenha decidido o destino.

É muito diferente de esperar que ela pesquise no Google:

“pousada Monte Verde”

Quando essa pesquisa acontece, várias decisões anteriores podem já ter sido tomadas.

No ambiente conversacional, existe potencial para participar mais cedo da formação da decisão, por meio de publicidade exibida separadamente da resposta e quando houver contexto elegível para isso.

Para hotéis, pousadas, resorts e experiências turísticas, considero essa característica especialmente relevante.

Então o Google Ads vai morrer?

Não vejo dessa forma.

O Google continua extraordinariamente poderoso quando alguém demonstra uma intenção objetiva:

“hotel em Foz do Iguaçu”

Mas as inteligências artificiais estão criando novos comportamentos de busca e descoberta.

Em vez de digitar três ou quatro palavras, as pessoas podem explicar aquilo que querem:

“Somos um casal com uma filha de seis anos e queremos passar quatro dias em Foz do Iguaçu. Queremos visitar as Cataratas e o Parque das Aves, não vamos alugar carro e precisamos de um hotel bem localizado. Onde é melhor ficar?”

É uma busca muito mais rica.

O desafio do marketing passa a ser estar presente nos dois comportamentos.

E o Meta Ads?

Também continua tendo uma função diferente.

Instagram e Facebook são excelentes ambientes para gerar desejo.

Uma pessoa pode assistir a um Reel mostrando uma banheira diante das montanhas e pensar:

“Eu preciso de um final de semana aí.”

O ChatGPT tende a estar mais próximo de momentos de pesquisa, descoberta, planejamento, comparação e decisão.

Portanto, vejo uma jornada cada vez mais parecida com:

  • Meta → desejo
  • ChatGPT → descoberta, planejamento e comparação
  • Google → busca direta e validação
  • Site do hotel → decisão e reserva

Naturalmente, essa jornada não será linear. O viajante poderá transitar várias vezes entre esses ambientes.

E onde entram SEO, AEO e GEO?

Aqui está a parte que considero ainda mais importante do que os próprios anúncios.

Durante anos trabalhamos principalmente com SEO, Search Engine Optimization, para aumentar a presença dos sites nos mecanismos de busca.

Agora surgem disciplinas e conceitos voltados também aos mecanismos de respostas e inteligência artificial.

Uma delas é AEO, Answer Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de resposta.

Outra expressão cada vez mais utilizada é GEO, Generative Engine Optimization, ou otimização para mecanismos generativos.

A lógica é relativamente simples.

Se alguém perguntar:

“Quais são boas pousadas pet friendly em Campos do Jordão?”

não queremos apenas que determinado hotel tenha um anúncio disponível.

Queremos também construir uma presença digital suficientemente clara, confiável e estruturada para aumentar as chances de sistemas de busca e inteligência artificial conseguirem entender quem é aquele hotel, onde está, o que oferece e para qual viajante ele pode ser relevante.

É importante fazer essa distinção porque não existe garantia de que determinada otimização fará uma marca aparecer em uma resposta específica de uma IA. Sistemas generativos são dinâmicos e utilizam diferentes informações e mecanismos para produzir suas respostas.

Isso envolve muito mais do que repetir uma palavra-chave 15 vezes em uma página.

Como preparar o site de um hotel para a era das buscas por IA?

Eu começaria pela informação.

Um mecanismo de inteligência artificial precisa conseguir encontrar e compreender claramente:

  • onde o hotel está;
  • qual é sua proposta;
  • para quem é indicado;
  • quais acomodações possui;
  • quais comodidades oferece;
  • se aceita animais;
  • como funciona o café da manhã;
  • se possui estacionamento;
  • se recebe crianças;
  • quais experiências oferece;
  • quais atrações existem nas proximidades;
  • quais são suas políticas;
  • e o que realmente diferencia aquele empreendimento.

Depois, precisamos transformar essas informações em uma arquitetura digital compreensível.

Isso passa por páginas específicas, conteúdo editorial, FAQs, dados estruturados quando aplicáveis, consistência das informações da empresa, autoridade digital, reputação e presença em fontes confiáveis.

Em outras palavras:

SEO não desaparece. Ele ganha novos vizinhos.

Conteúdo para IA é diferente de conteúdo para Google?

Em parte.

Durante muito tempo, parte do SEO foi construída pensando:

“Qual palavra-chave precisamos posicionar?”

Agora precisamos acrescentar outra pergunta:

“Que pergunta o viajante faria a uma inteligência artificial para chegar até este hotel?”

Essa mudança parece pequena, mas altera bastante a estratégia editorial.

Um hotel pet friendly poderia produzir um artigo chamado:

Hotel pet friendly em Curitiba: como escolher onde ficar com seu cachorro

Uma pousada romântica:

Onde passar um final de semana romântico perto de São Paulo?

Um hotel próximo a um centro de eventos:

Onde ficar em Curitiba para eventos no Centro de Convenções X?

Um resort familiar:

Como escolher um resort para viajar com crianças pequenas?

O conteúdo deixa de responder somente a uma palavra-chave e passa a responder a uma intenção completa.

É exatamente o tipo de informação que mecanismos generativos precisam encontrar e compreender para construir respostas úteis.

ChatGPT Ads e GEO devem trabalhar juntos

Para mim, este será um dos principais erros dos próximos anos: empresas tratando publicidade em IA e presença orgânica em IA como coisas completamente independentes.

Eu prefiro pensar em uma estratégia integrada.

Na HotelariaWeb, estamos estruturando essa visão em camadas:

1. Diagnóstico de presença em IA

Entender como a marca aparece atualmente em diferentes perguntas e contextos relacionados ao hotel.

2. Estruturação da autoridade digital

Garantir que informações sobre o empreendimento estejam claras, consistentes e tecnicamente acessíveis.

3. SEO + AEO + GEO

Produzir e estruturar conteúdo pensando tanto nas buscas tradicionais quanto nos novos ambientes de respostas e mecanismos generativos.

4. AI Paid Acquisition

Acompanhar e, conforme houver disponibilidade e fizer sentido para a estratégia do empreendimento, testar mídia paga em ambientes de inteligência artificial, como o ChatGPT.

5. Mensuração

Comparar presença, tráfego, leads, reservas, CAC e receita sempre que houver dados e mecanismos de atribuição disponíveis.

Não se trata simplesmente de “fazer anúncio no ChatGPT”.

Trata-se de construir presença na jornada de decisão mediada por inteligência artificial.

Um novo indicador: Share of AI Voice

Um indicador que, na minha visão, tende a ganhar importância é aquilo que podemos chamar de Share of AI Voice.

Aqui, não estou falando de uma métrica oficial disponibilizada pelo ChatGPT Ads ou pela OpenAI. Estou falando de uma forma estratégica de acompanhar a presença de uma marca em respostas geradas por sistemas de inteligência artificial.

Imagine que selecionamos 50 perguntas importantes para determinado hotel.

Por exemplo:

Qual hotel escolher em Curitiba para viajar com cachorro?

Onde ficar em Curitiba perto do Jardim Botânico?

Quais hotéis de Curitiba possuem estacionamento?

Onde passar um final de semana romântico perto de Curitiba?

Qual região é melhor para se hospedar em Curitiba?

Podemos acompanhar com que frequência determinada marca aparece em contextos relevantes e como essa presença evolui em relação aos concorrentes.

Isso não representa uma garantia de posicionamento e tampouco deve ser interpretado como uma métrica oficial das plataformas. Respostas generativas são dinâmicas e podem variar.

Mas, na minha visão, esse tipo de acompanhamento ajuda a transformar algo aparentemente abstrato — “aparecer nas IAs” — em uma disciplina que pode ser observada e analisada ao longo do tempo.

O que muda para pequenos hotéis e pousadas?

Talvez essa seja a parte que mais me interessa.

A OpenAI vem estruturando o Ads Manager para permitir que empresas administrem suas próprias campanhas, embora o acesso ao beta e sua disponibilidade geográfica ainda estejam sendo ampliados gradualmente.

Isso abre a perspectiva de que, conforme o acesso se expanda, não estejamos diante de uma mídia reservada apenas às grandes redes hoteleiras.

Uma pousada independente poderá, em princípio, competir pela atenção de um viajante justamente quando ele estiver planejando uma viagem.

E pequenas propriedades têm uma vantagem curiosa nesse novo ambiente:

elas frequentemente possuem características muito específicas.

“Pousada pequena onde aceitam cachorro.”

“Hotel rural com atividades para crianças.”

“Chalé romântico com lareira.”

“Hotel próximo ao aeroporto com transfer.”

“Pousada tranquila para casal sem crianças.”

Quanto mais contextual se torna a busca, mais importantes podem se tornar esses diferenciais.

A era da palavra-chave está acabando?

Eu diria que não.

Mas a era em que a palavra-chave era suficiente certamente está mudando.

Estamos saindo de:

“hotel gramado”

para:

“Quero levar meus pais para Gramado em outubro. Eles têm dificuldade para caminhar, então precisamos ficar perto dos restaurantes e quero um hotel confortável com elevador. O que você sugere?”

São dois universos completamente diferentes de intenção.

E o marketing precisará aprender a trabalhar com ambos.

O que o hoteleiro deveria fazer agora?

Eu não recomendaria abandonar Google Ads, Meta Ads ou SEO para apostar tudo no ChatGPT.

Seria prematuro.

O ChatGPT Ads ainda está em beta, o acesso ao Ads Manager está sendo ampliado gradualmente e suas ferramentas, formatos, métricas e mecanismos de otimização continuarão evoluindo.

Mas também não recomendo ignorar o movimento.

O melhor momento para compreender uma nova plataforma costuma ser antes de ela se transformar em um ambiente publicitário saturado.

Para hotéis, pousadas e resorts, eu começaria agora por três frentes:

  • entender como o empreendimento aparece nas inteligências artificiais;
  • preparar site e conteúdo para SEO, AEO e GEO;
  • acompanhar a disponibilidade da mídia paga em IA e começar a testá-la de maneira controlada e mensurável quando o acesso estiver disponível para a empresa.

Afinal, vale a pena anunciar no ChatGPT?

Ainda teremos muito a aprender.

Precisaremos descobrir quais formatos convertem melhor para hotelaria, quais tipos de contexto apresentam maior intenção comercial, como serão os custos para anunciantes brasileiros, qual será o custo por reserva e como o ChatGPT Ads se comportará quando comparado a Google e Meta.

Mas uma coisa já mudou.

O consumidor não precisa mais abrir um buscador, digitar palavras-chave e visitar dez sites para começar a planejar uma viagem.

Ele pode simplesmente conversar:

“Tenho R$ 4 mil e quatro dias livres. Quero viajar com meu marido para algum lugar romântico no Sul do Brasil em setembro. Não queremos dirigir muito e gostamos de gastronomia. Para onde podemos ir?”

A partir daí começa uma jornada inteira de descoberta.

Destino. Hotel. Transporte. Restaurantes. Experiências. Comparações. Decisão.

Para quem trabalha com turismo, ignorar o lugar onde essa conversa acontece seria ignorar uma nova porta de entrada para a viagem.

Minha visão é que não estamos assistindo simplesmente ao nascimento de “mais uma plataforma de anúncios”.

Estamos vendo surgir uma nova camada entre a intenção do viajante e a decisão de compra.

E é exatamente nesse espaço que hotéis precisarão aprender a estar presentes.

 

Por Thaisy Sluszz, sócia-fundadora do Hotelariaweb.

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